segunda-feira, 25 de junho de 2007

Advertência

Cinco centímetros abaixo

da cicatriz de apendicite
que ainda não tenho
escrevi o seu nome
com uma caneta bic
de tinta roxa

Você queria tatuagem?
Sinto muito, meu bem
Minhas paixões todas
se apagam na hora do banho
no dia seguinte

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Escrevi o texto acima no início de 2005. Na época fazia todo sentido. Logo depois começou a deixar de fazer e hoje é apenas lembrança de uma época. Que nem marcas deixou, porque foram feitas com uma caneta bic, de tinta roxa. Como esse blog parece ter como única utilidade exumar cadáveres, eis um dos mais queridos - do tempo que eu não tinha tatuagens.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Serial killer

(...)

Perdi as conta das vezes que te matei.

Todos os dias, a toda hora,

faço-te meu alvo

e depois choro por ti.

Me achando impuro,

me descobrindo imperfeito,

lavando as mãos...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Abuso

Era apenas uma mala. Levou até o bagageiro do ônibus, disse que o destino era Porto Alegre e recebeu o ticket. Conferiu a passagem, entregou ao motorista, entrou no ônibus. Subiu a pequena escada que levava à parte de cima do veículo, foi até a poltrona um. Sempre gostou de viajar com a janela dianteira à sua frente, vendo a estrada. Acomodou-se, começou a ler. Um homem alto, vestindo um casaco escuro pede licença e senta ao seu lado. Se acomoda, não fala mais nada, puxa um livro também. Ela esquece o sujeito, volta a ler. O ônibus parte, ela lê sete páginas e dorme. Costuma ser a melhor parte dessas viagens noturnas.

Acorda com um cutucão. Desperta sem noção de tempo, teria dormido muito? É o passageiro ao lado. Quando vai perguntar o que quer, sente a mão dele em sua boca. O homem tampa sua boca com a mão direita enquanto ela sente algo pontudo encostar na sua barriga.

- Calma que eu não quero te machucar - diz o homem, sussurrando.

Apavorada, ela vê o sujeito destapar sua boca e sente o objeto pontudo apertar ainda mais fundo.
- Não tem ninguém nos bancos aqui do lado e nem atrás... a gente tem bastante privacidade. Você vai ser boazinha?

Tremendo, ela faz que sim com a cabeça. O homem sorri.

- Eu sabia que ia gostar de você desde que coloquei a mala no bagageiro.

Com a mão desocupada, ele abre três botões da blusa da mulher. Com os dedos, mexe em seu sutiã como se estivesse brincando - e estava. Como se não tivesse pressa - e parecia não ter mesmo. Devagar, puxa o sutiã, deixa um peito para fora, brinca com o mamilo da mulher. Ela sente um arrepio e tenta se conter. Não sabe até onde a loucura daquele homem pode chegar dentro de um ônibus, com pessoas por perto, com mil formas de ser descoberto ou denunciado. Sente medo de morrer ali mesmo. E sente a coxa do sujeito roçando a sua.

A mão desliza por seu corpo. Quanto mais ele se excita, mais ela sente o objeto pontudo na cintura. Seria uma faca? Não tinha como saber, ele mantinha a mão esquerda coberta enquanto brincava com a direita. Abriu o botão da calça, enfiou a mão por baixo da calcinha, começou a brincar por ali. Chegou perto do ouvido dela e sussurrou:

- Eu quero um beijo. E se não for bom, eu vou te machucar.

Ele chegou mais perto e a beijou. Ela beijou também. Com medo, com algumas lágrimas escorrendo, mas beijou. O beijo que ele queria e que ela precisava dar para não se machucar ainda mais.

- SOMBRIO, VINTE MINUTOS!

Desperta com um salto. Ao seu lado, o passageiro dorme de boca aberta, com o livro aberto no colo. Não há objetos pontiagudos. Os botões da blusa e da calça estão fechados. A viagem chegara a metade e era hora de descer para lanchar.


Desceu e tomou quatro xícaras de café.