terça-feira, 30 de outubro de 2007

Metáforas, pra variar

Eram milhares de pequenos escorpiões. Ou seriam aranhas? Não, nem pequenas aranhas, nem pequenos escorpiões. Certo é que era alguma espécie de aracnídeo com menos de um centímetro e que eles saíam do meu corpo às centenas, uma coisa nojenta. Nojenta, mas necessária... eu estava infectado por uma doença e ação dos remédios estava expulsando de mim aqueles bichos estranhos que causavam aquela dor inédita.

Foi o sonho mais nojento que já tive.

Mas acordei sentindo que estava realmente curado, que os remédios funcionaram e que os bichos - seja lá o que fossem - estavam devidamente expulsos, levando com eles as dores.

E foi assim que aconteceu...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Só um sorriso

[Porto Alegre, avenida Osvaldo Aranha, lado par, um rapaz e uma mulher se cruzam, caminhando em sentido contrário. Ela pára e volta]

- Ei!
- Sim?
- Tu sorriu pra mim?
- Eu? Acho que sim...
- A gente se conhece por acaso?
- Não, não, acho que não...
- Então por que tu sorriu pra mim, se a gente não se conhece?
- Não sei...
- Me achou estranha, minha roupa tá engraçada, sou feia?
- Não, pelo contrário!
- Ah! Então me achou bonita?
- Sim, achei...
- E achou que dando um sorrisinho eu ia voltar pra dar trela, né?
- Não... foi só um sorriso!
- Só um sorriso... essa é boa... só um sorriso...

[A mulher se vira e vai embora, apressada, resmungando. O rapaz continua parado, olhando. Ri sem graça, se vira, segue seu caminho. Um minuto depois, uma quadra adiante, a mulher gargalha]

sábado, 20 de outubro de 2007

Upiara em crise

Quando o orkut ainda era uma febre e seus convites eram disputados a tapa ou leiloados no e-bay, um amigo escreveu um depoimento (ainda chamados simplesmente de testemonials) em que dizia não entender a minha “mania de se desfazer das coisas”. Aquela frase me intrigou esse tempo todo, mas nesse momento de “upiara em crise” as coisas estão fazendo mais sentido e percebo que aquele diagnóstico até faz sentido.

Não, eu não estou jogando dinheiro fora – ou pelo menos acredito que o dinheiro desperdiçado me dá alguma recompensa. O que venho jogando fora são as minhas oportunidades de abandonar essa pós-adolescência que anda me constrangendo tanto. É como se sempre houvesse uma saída de emergência para onde correr.

Essa saída se apresentou nas mil maneiras e desculpas para adiar a formatura, na facilidade com que troquei a chance de estar na redação do Estadão pelas baladas paulistanas, na predileção por relacionamentos inviáveis e na fuga daqueles que se mostraram viáveis demais, nessa dificuldade gigantesca de simplesmente fazer o melhor que posso todas as tardes. A frase é longa e enrolada, mas isso é tudo metáfora.

E eu escrevi o mesmo texto do post abaixo, com outras palavras. Porque na verdade, não tenho a menor idéia de como mudar isso tudo.

sábado, 13 de outubro de 2007

O fantasma

A frase já estava formulada, ensaiada e pronta para ser jogada em um momento crucial daquela conversa em que o casal deixava de ser. Quando o momento chegou, ele não teve dúvidas.

- O problema é que eu gosto de você e você gosta do upiara que eu poderia ser.

A intenção era fazê-la sentir uma pontinha de remorso por exigir dele mais do que ele acreditava que poderia alcançar. O efeito foi contrário, pois ela riu, ficou com o rosto iluminado e disse, enfaticamente, "exato!". Era como se ele tivesse resumido tudo o que ela queria dizer e não conseguia. Foi mais ou menos assim que acabou aquele namoro e iniciou uma amizade que deve durar para sempre - apesar de ambos serem geniosos taurinos descendentes de italianos.

Mas a questão do upiara paralelo, aquele que ele poderia ser, nunca ficou de lado. Às vezes, ele se sente perseguido por esse estranho rival - que teria o raro prazer de apenas se insinuar sem nunca aparecer. Criando nos outros expectativas que no final ele - o upiara real - teria que cumprir. E nunca cumpre.

A única coisa que o conforta é que, pelo menos, ele conhece o inimigo...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Não me responsabilizo...

...pelos meus 15 xarás.

Do site da Igreja Batista Nacional de Joinville:

"Testemunho de Upiara Terezinha Palhares
(...) No culto de 5ª Feira, eu ainda estava sentada no banco, senti algo grande acontendo no meu joelho, o qual foi operado. Quando o pastor orou por mim, lhe falei falei que estava curada. Fui na hidroterapia e minha fisioterapeuta falava que não entendia, pois foi solto o que estava preso no meu joelho"

para quem duvida, basta clicar aqui.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

pensamento avulso

preciso ir embora ou me apaixonar

ou as duas coisas... (nada como uma história incompleta pra ir embora com vontadinha de voltar)

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Lembranças com café

Sempre encarava aquelas perguntas de sua avó ou de qualquer outro familiar sobre vida amorosa com uma vontade de sumir da cadeira por alguns minutos e voltar quando assunto já fosse outro. Não foi diferente daquela vez. A avó perguntou como quem não quer nada, durante o café, se ele estava sozinho. Estava, há pouco tempo, mas não era algo que o atormentasse ou pautasse seus pensamentos naquele momento. Estava só e bem. Foi isso que quis deixar transparecer na resposta quando disse aquele “sim” meio sem vontade, que a avó entendeu ao contrário, como uma espécie de lamúria.

- Não fica assim que o é nosso está guardado.

Aí ele pensou que viria toda aquela conversa sobre destino e sobre pessoa certa que acha serem bobagens, conselho sentimental de jornal popular. Olhou para o café, ainda pela metade. Foi quando a avó começou a contar uma história e nas primeiras palavras ele parou e percebeu não era um causo qualquer.

Ela disse que quando era moça, namorava um rapaz muito ciumento. Ambos moravam em Porto Alegre e o rapaz estava particularmente preocupado com a chegada do carnaval. Ele iria encontrar a família no interior e sabia que a futura avó não perderia os bailes de carnaval. Tanto insistiu para que ela não fosse aos bailes que a convenceu a aceitar um convite de uns parentes de Gramado para ficar por lá durante a festa.

- Ficou tão faceiro que foi até comprar as passagens.

O rapaz levou a namorada para a rodoviária, se despediu e viajou também, para a sua cidade. Tranqüilo. E a moça teve um carnaval inesquecível na serra gaúcha.

- Foi lá que eu conheci o teu avô.

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A história não sai da minha cabeça.