quinta-feira, 30 de abril de 2009

One hit wonder

Aquela mesmo busca que fiz no google ontem, apliquei dentro do orkut. Resultado: pelo menos 12 pessoas usam o poema em seus perfis. Estão me passando a mão na bunda.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Não dá pra controlar, não dá. Não dá. Não dá pra planejar...

Quem tem controle sobre o que acontece na internet? Eu, você, nós dois, João girando na vitrola sem parar? Ninguém, meu amigo, minha amiga. Vejam o caso curioso que acabo de descobrir.

Lá por 2005, escrevi um poema. É, eu escrevia poemas naquela época - hoje estou curado, graças ao jornalismo. Esse foi um dos últimos, juro, e lembro bem como aconteceu. Morava em São Paulo, mas passava janeiro no Sul, em Florianópolis. Estava no ônibus, na via expressa sul, pensando. Fiquei com uma frase na cabeça, que virou duas, três e assim foi. Quando vi, tinha o texto inteiro. Fui repetindo mentalmente até em casa. Escrevi.

Joguei no antigo fotolog, já de volta a SP. Depois, foi pro blog velho. Em 2007, relembrando e exumando cadáveres postei ele aqui. Posto de novo. Fique claro que, na época, eu andava lendo muito Bukowski e tentando escrever sobre a noite de São Paulo - a única coisa que me importava.

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Cinco centímetros abaixo
da cicatriz de apendicite
que ainda não tenho
escrevi o seu nome
com uma caneta bic
de tinta roxa

Você queria tatuagem?
Sinto muito, meu bem
Minhas paixões todas
se apagam na hora do banho
no dia seguinte

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Porque exumo o cadáver de novo e conto essa historinha? Porque o google analytics diz que ainda tem gente que chega ao blog procurando por frases desse texto. Achei estranho, googlei. Que descubro? O bicho tomou vida por aí e tem servido de inspiração pra muita menininha fotologger (elas ainda existem) pagar de gatinha. Ah, se eu soubesse...

Vejam:

http://jarmylleferreira.blogspot.com/2009/03/escrevi-seu-nome.html
http://www.fotolog.com.br/anna__duarte/48069629
http://www.fotolog.com.br/manda_n/61821062
http://www.flogao.com.br/digaxiiis/foto/120/97728679
http://www.flogao.com.br/roanayasmin/foto/222/124051280
http://www.fotolog.com.br/aline_ninha/35832474
http://www.fotolog.com.br/maillam/57357864
http://www.fotolog.com.br/killer_me_doll/27897931

terça-feira, 28 de abril de 2009

Diálogo de redação

- Tô quebrando a cabeça pra fazer esse lead...
- Deixa eu dar uma olhada... porque você não vai por uma linha [blá, blá, blá, idéias truncadas]?
- Eu tava afim de algo como [blá blá blá, idéias mais truncadas].
- É, pode ser.
(...)
- Acho que consegui. Olha só...
- Tá bom, mas acho que você consegue ser mais original...
- "Original" é nome da cerveja que eu vou tomar quando conseguir sair daqui, minha filha...

(duas gargalhadas)

Rindo é mais fácil

Moça: Eu sempre tenho que ficar explicando as coisas pra ele. Mas ele não entende. Dá vontade de voltar pro saco do pai...

Rapaz: É... a concorrência era grande, mas havia compreensão...

(quatro gargalhadas)

Moça: Estávamos na mesma luta.

(quatro gargalhadas)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mega

Eu ia escrever alguma coisa sobre o que aconteceu com o Ricardo Mega, meu colega de redação do AN Capital e de várias coberturas de campeonatos de surfe. Mas o que está escrito no Diário Catarinense de hoje é tão correto que vou transcrever aqui sem as partes que não interessam mais ficar recordando.

"Mega, como era conhecido entre os colegas de profissão, trabalhou no Diário Catarinense, onde participou da Revista de Verão. Entre seus trabalhos, estão a cobertura do velório do piloto Ayrton Senna e os mundiais de surfe. Trabalhou no jornal AN Capital, antigo suplemento do jornal A Notícia, de circulação restrita à Grande Florianópolis, por sete anos. Atualmente, trabalhava com free-lancer. Nascido em Brasília (DF), em 15 de dezembro de 1969, Mega morou por alguns anos em São José dos Campos (SP), até mudar-se para Florianópolis com a mulher, Isabelle Búrigo Paulo, em junho de 2000. Além da fotografia, os cinco cães eram outra grande paixão de Mega. Adestrador e criador de pitbulls, o fotógrafo tinha carinho especial por Iron, seu cão favorito. Morador da Praia do Campeche, no Sul da Ilha, Mega era praticante do surfe e tinha adoração por fotografar o esporte. Apesar do semblante sério, os amigos lembram do fotógrafo como um homem de coração enorme, que tratava a todos com carinho e que estava sempre disponível para ajudar os amigos. "

Assino embaixo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Década

Passou despercebido por mim, talvez por ser domingo e plantão no jornal, o dia 12 de abril. Não estou falando da páscoa, que comemorei comendo o suflair que comprei no posto de gasolina, pouco depois de chegar à redação. Naquele dia completavam-se dez anos da minha primeira aula no curso de jornalismo.

Acho que ainda lembro bem. Vejamos. Pela manhã, aula de redação para TV, com o Fernando Crócomo. Só lembro da Ginny, não sei exatamente porquê. Talvez pela risada. Em seguida, redação para rádio, com a Maria José Baldessar. Dessa aula, lembro da Marianne, que ficou só um semestre com a gente. Esses dias dei busca no nome no google e soube que estava dirigindo teatro. Acho que foi pra isso que ela saiu mesmo.

Na saída, a turma ficou concentrada na entrada, trancaram a porta. Trote. Nada demais. Umas pinturas, pés descalços e concentração no único lugar aberto ali por perto e que vendia cerveja. Não era o Pida, era um restaurante meio tosco. A lenda é que os veteranos e alguns calouros ficaram por lá até a noite. Eu não. Tinha aula de técnicas de reportagem, pesquisa e entrevista jornalística à tarde.

Imperdível, com certeza. E foi. O Scotto falou, falou, falou. Não lembro de nada, mas os doze ou treze alunos da sala não tiraram os olhos dele. Depois saberíamos que aquele era o temido professor de redação que fazia menininhas chorarem, era odiado por uns ("um escroto") e idolatrado por outros ("o Scotto é foda"). E que, cinco anos depois, foi meu orientador no trabalho de conclusão de curso. Dessa aula, eu lembro da Nara.

No final da tarde, fui pra casa. Com a certeza de que tinha escolhido certo. Passaram dez anos - cinco e meio deles dentro daquele curso, três e meio dentro de redações - e eu ainda não me arrependi. Jornalismo é uma merda, paga mal, mas ainda é melhor do que trabalhar. Porque o que a gente gosta de fazer nunca é exatamente trabalho.

O que em deixa assustado, na verdade, é ver que dez anos passaram. Eu tinha 16 anos, quase 17, naquele 12 de abril de 1999. Tinha o direito de postergar mil coisas, fazer mil planos. Parar, dar um passo pra trás de vez em quando (cheguei a trancar o curso por nada em 2002, só pra não ter as férias atrapalhadas por uma greve).

Agora, prestes a completar 27, ainda planejo, ainda postergo. E acordo todos os dias numa cidade em que nunca imaginei morar. Estar mais perto dos 30 do que dos 20 dá muito medo. Parece que sou Dorian Grey e dei uma espiadela no meu retrato antes da hora...

ps. A foto colorida e quadruplicada à direita é bem daquela época. Foi Ginny, a da risada, quem bateu.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Zio Caê

"Zii e Zie", o novo disco do Caetano Veloso não me arrebatou como o "Cê". Ele não é um disco arrebatador. Talvez um pouco porque não haver o impacto da surpresa ("é do caetano mesmo?") do disco anterior - lançado numa época em que nem aqueles setores da crítica que tinham no baiano um alvo davam mais bola para os discos que ele lançava (ou cometia, em alguns casos).

Um pouco é isso. Mas o principal motivo para essa recepção blasé é o fato de que faltam canções como "Não me arrependo", "Odeio" e até "Rocks". Essa última por ser uma espécie de pé na porta, "olha aí, o caê exigindo rocks", que levou meio mundo - eu incluso - a ouvir as duas primeiras, as melhores da safra 2006 da música brasileira.

Estou há dois dias ouvindo direto "Zii e Zie" e ele me soa cada vez mais confortável. A impressão é de que ele não é mesmo um disco feito pra arrebatar. O próprio Caetano, no realese do disco, tenta pontuar as diferenças entre o disco novo e o anterior. Aquele teria letras mais pessoais, com uma banda recem formada. Agora, com a banda estabilizada e com letras que "olham para mais longe".

Talvez por isso, as letras citem tanto. Deixo o Caetano falar. "da favela ao Leblon, da Lapa à praia; de Chico Alvez a Los Hermanos; de anônimos típicos a celebridades atípicas, como Kassin, a combinações inusitadas de personalidades cariocas, como Guinga e Pedro Sá. Mas as letras olham para mais longe de mim também: Guantánamo, grutas do Afeganistão, Washington. Voltam os nomes próprios e o tom de comentário dos signos dos tempos que sempre fizeram presença em meu repertório."

As minhas preferidas até agora são as regravações de Incompatibilidade de Gênios e de Ingenuidade, Falso Leblon - a resenha de uma noite indie carioca, seja o que isso for -, Sem Cais e Diferentemente. Essa última, causou um certo desconforto no começo por citar Madonna, Osama Bin Laden e Condoleezza Rice em algo que era pra ser só uma canção boba, "mais uma de amor, como diz Lulu. Mas funciona e é a que está na minha cabeça enquanto escrevo isso. Talvez porque, diferentemente de Osama e Condoleezza, eu também não acredite em Deus.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

38 anos de luta

Às vezes me pergunto por quanto tempo vou conseguir ignorar a reforma ortográfica aqui no blog. Escrever é algo que se faz naturalmente, condicionadamente. Passo o dia no jornal falando de linguiças (sic) e autorretratos (sic), uma hora é capaz de escapar uma bizarrice dessas por aqui. Quando penso nisso, dá vontade de desistir, capitular. Abandonar esse protesto solitário.

Mas, na estação rodoviária de Tijucas, última parada do ônibus pinga-pinga antes de Florianópolis, recobrei o ânimo e a coragem. Se o banheiro masculino daquela rodoviária ainda resiste bravamente à reforma de 1971, eu também vou conseguir. (clique na imagem para ver o detalhe)

sábado, 4 de abril de 2009

interpretação livre

Existem tantas canções. Por que essa vontade de ouvir as que não existem?