São duas as ocasiões em que um homem não deve jogar: quando não tem dinheiro e quando tem. A frase era de Mark Twain - ou pelo menos era isso que dizia aquele site bizarro de citações que o google lhe indicara. Concordou com a frase. Lembrou das histórias de Bukowski e os cavalos, quase todas sobre falta de dinheiro e de sorte. Aquilo não era para ele, que tinha a prudência mais do que refletida na frase que abre o parágrafo.
Não era um homem de apostas.
Mesmo que fosse, morava numa cidade sem hipódromo.
Era tudo isso que tornava tão dificil entender aquela estranha sensação de ter colocado todas as fichas nos cavalos errados...
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Listas...
A revista Rolling Stone fez uma ousada lista de 100 melhores músicas brasileiras. Na comunidade da finada revista Bizz no orkut tem uma discussão sobre a lista e os votos dos jornalistas que deram origem a ela. Deu vontade de pitacar também. Pensei um pouquinho e lembrei, com carinho, dessas 20 aí. Sem ordem de preferência.
Dê um rolê - Gal Costa, no disco a Todo Vapor
Mestre Jonas - Sá, Rodrix e Guarabyra
Espelhos Quebrados - Ronnie Von
Todos Estão Surdos - Roberto Carlos
Qualquer coisa - Caetano Veloso
Domingo no parque - Gilberto Gil
Minha menina - Mutantes
Todo amor que houver nessa vida - Barão Vermelho, o primeiro disco, com Cazuza
Farto do Rock n Roll - Ira!
Comida - Titãs
Velha Roupa Colorida - Belchior
Nine out of Ten - Caetano Veloso
O vencedor - Los Hermanos
As curvas da Estrada de Santos - Roberto Carlos
Casa pré-fabricada - Los Hermanos
Não vá se perder por aí - Mutantes
Com qualquer dois mil réis - Novos Baianos
Dos margaritas - Paralamas do Sucesso
Fera Ferida - Marian Bethânia
Eu quero botar meu bloco na rua - Sérgio Sampaio
Mestre Jonas - Sá, Rodrix e Guarabyra
Espelhos Quebrados - Ronnie Von
Todos Estão Surdos - Roberto Carlos
Qualquer coisa - Caetano Veloso
Domingo no parque - Gilberto Gil
Minha menina - Mutantes
Todo amor que houver nessa vida - Barão Vermelho, o primeiro disco, com Cazuza
Farto do Rock n Roll - Ira!
Comida - Titãs
Velha Roupa Colorida - Belchior
Nine out of Ten - Caetano Veloso
O vencedor - Los Hermanos
As curvas da Estrada de Santos - Roberto Carlos
Casa pré-fabricada - Los Hermanos
Não vá se perder por aí - Mutantes
Com qualquer dois mil réis - Novos Baianos
Dos margaritas - Paralamas do Sucesso
Fera Ferida - Marian Bethânia
Eu quero botar meu bloco na rua - Sérgio Sampaio
atualização: nem fui dormir ainda e já lembrei de Nervos de Aço, do Lupicínio Rodrigues
atualização 2: Esse tal de Roque Enrow, da Rita Lee... não durmo hoje
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Túnel do tempo
Eu não sabia onde estava e nem com quem ia. Entendi que aquele lugar deveria ser familiar, mas não era. Embora a situação e até algumas pessoas fossem. Balada, cheiro de fumaça, pouco iluminação, músicas empolgantes tocando, uma fila para comprar bebida. Pra onde fui imediatamente.
Na fila, um homem me olhou como se nos conhecêssemos. Abriu um sorriso que retribuí. Perguntei se nos conhecíamos e ele disse que não sabia.
- Desde que perdi a memória, eu olho para todas as pessoas como se conhecesse. Vai que conheço?
Podia ser ironia, mas parecia que não. Certa ingenuidade no jeito de olhar e falar denunciava a verdade. Pelo menos parecia. Tinha certeza de que não o conhecia, mas era tarde demais pra evitar a conversa na fila. Ele continuou a falar, mesmo que eu não prestasse tanta atenção assim ao papo “se beber não dirija” que começou.
O dj colocou take me out, a do Franz Ferdinand, para tocar. Era motivo suficiente para deixar a fila e a conversa para depois. Pedi licença e corri pra lá. No meio do caminho, vi aquela garota que sempre me deixou maluco na época em que tinha namorada. Não tenho mais, mas não perdi o hábito de vê-la como algo proibido – e para quem deveria olhar disfarçadamente.
Passei sem cumprimentar, mas ela me parou. Oi, tudo bem, quanto tempo e etcéteras. Beijos no rosto que não acabavam. Um, dois, três, quatro. Quatro? Depois do quinto, como se imaginasse a ex por perto em espreita – mesmo sem sentido nenhum hoje em dia – peguei a menina pelo braço para irmos um lugar mais discreto e fazer aquilo direito. Foi mútuo.
Era um das noites como as melhores de 2004, 2005, 2006, em lugares escuros e barulhentos de São Paulo e Florianópolis. Estava de mão dada com a menina, em busca de lugar mais íntimo, quando o momento foi interrompido por outro velho amigo. Ele veio dar parabéns pelo meu aniversário.
Não entendi. Pelo que lembrava, faltava meio ano para meu aniversário. Fiquei desesperado. Como assim, 28 anos hoje? Não fazia sentido. Nem a data, nem a idade, nem o meu desespero. Era como se em um instante só eu tivesse envelhecido tudo que evitei envelhecer até hoje. Os tais 28 anos estavam ali, humilhantemente expostos. Nada mais importava. A noite, take me out, as mãos dadas com aquela menina – há tanto tempo desejada.
Acordei assustado, ofegante e aliviado. Era sonho. Continuava com meus 27 anos, cinco meses e todo o tempo do mundo para evitar a vida adulta.
Na fila, um homem me olhou como se nos conhecêssemos. Abriu um sorriso que retribuí. Perguntei se nos conhecíamos e ele disse que não sabia.
- Desde que perdi a memória, eu olho para todas as pessoas como se conhecesse. Vai que conheço?
Podia ser ironia, mas parecia que não. Certa ingenuidade no jeito de olhar e falar denunciava a verdade. Pelo menos parecia. Tinha certeza de que não o conhecia, mas era tarde demais pra evitar a conversa na fila. Ele continuou a falar, mesmo que eu não prestasse tanta atenção assim ao papo “se beber não dirija” que começou.
O dj colocou take me out, a do Franz Ferdinand, para tocar. Era motivo suficiente para deixar a fila e a conversa para depois. Pedi licença e corri pra lá. No meio do caminho, vi aquela garota que sempre me deixou maluco na época em que tinha namorada. Não tenho mais, mas não perdi o hábito de vê-la como algo proibido – e para quem deveria olhar disfarçadamente.
Passei sem cumprimentar, mas ela me parou. Oi, tudo bem, quanto tempo e etcéteras. Beijos no rosto que não acabavam. Um, dois, três, quatro. Quatro? Depois do quinto, como se imaginasse a ex por perto em espreita – mesmo sem sentido nenhum hoje em dia – peguei a menina pelo braço para irmos um lugar mais discreto e fazer aquilo direito. Foi mútuo.
Era um das noites como as melhores de 2004, 2005, 2006, em lugares escuros e barulhentos de São Paulo e Florianópolis. Estava de mão dada com a menina, em busca de lugar mais íntimo, quando o momento foi interrompido por outro velho amigo. Ele veio dar parabéns pelo meu aniversário.
Não entendi. Pelo que lembrava, faltava meio ano para meu aniversário. Fiquei desesperado. Como assim, 28 anos hoje? Não fazia sentido. Nem a data, nem a idade, nem o meu desespero. Era como se em um instante só eu tivesse envelhecido tudo que evitei envelhecer até hoje. Os tais 28 anos estavam ali, humilhantemente expostos. Nada mais importava. A noite, take me out, as mãos dadas com aquela menina – há tanto tempo desejada.
Acordei assustado, ofegante e aliviado. Era sonho. Continuava com meus 27 anos, cinco meses e todo o tempo do mundo para evitar a vida adulta.
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