quinta-feira, 25 de novembro de 2010

antilegado

todos os próximos anos
vinte, trinta, quarenta deles
lembrando aquela época
reis de uma velha turma
em churrascos nostálgicos
histórias repetidas
dores, barrigas, flacidez
tributos pagos por uma vida
de excessos e faltas
que resultaram em pouco mais que nada

farei uma prece a mim mesmo
por não ter virado um de vocês...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pergunte ao vinho

Você tem razão, querida.
Vou morrer jurando que houve amor ali, mas a verdade é que nós dois não fomos nada demais.
Acontece assim na vida. Nem toda intenção vira gesto, nem todo gosto satisfaz, nem todo beijo vira sexo.

A gente não virou.

Desfaz a mágoa ou transforma em outra coisa.
Vai viver porque é o que eu tô fazendo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Parceria

Alheio ao que somos e sentimos,
O tempo passa.
Se esgota enquanto pergunto
Quanto dele ainda tenho
Pra tentar beijar aquela moça.

Alheio ao que somos e sentimos,
O tempo passa...
            (e tá mais do que certo)

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Resultado do diálogo entre os upiaras de 1999 e o de hoje

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Taxímetro

- Uma vez defini meus relacionamentos de uma forma bizarra...
- Lá vem...
- Eu disse que sempre me sentia como um taxista que está levando alguém até o shopping e fica o tempo todo pensando que a corrida poderia ser até a Lagoa.
- Que merda, hein? Por que tá me falando isso?
- Porque você tem jeito de que vai pra Canasvieiras...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Florianópolis

Quando voltei a morar em Florianópolis, passados mais de dois anos em Joinville, pensava em escrever um texto que marcasse essa volta. Lembro bem dos que escrevi quando aceitei o convite para mudar e quando cheguei naquela nova realidade. Achei que precisava de algo assim registrar o recomeço na ilha.

No fim, tudo que pensei em dizer era piegas ou inadequado. Além disso, havia motivos para que eu me sentisse ainda ligado a Joinville de uma forma muito especial. O tal texto sobre o que significava a volta acabou deixado de lado, esquecido.

Hoje, numa conversa, lembrava que em alguns momentos Joinville me passava a ideia de que só havia duas alternativas: abandoná-la para recomeçar do zero em outro lugar ou ficar preso a ela para sempre. As duas alternativas indesejáveis se somavam à sensação estar fora do meu próprio projeto de vida. No fim, as coisas acabaram se ajeitado de uma forma que consegui voltar para Florianópolis fazendo da experiência joinvilense  parte desse projeto.

Mesmo assim, aquela sensação de falta de alternativa esteve presente até o dia em que recebi o convite para voltar. Na conversa de hoje, ela perguntou se tudo aquilo que me agoniava em Joinville passou apenas com a vinda para Florianópolis.

Sim, passou. O meu projeto de vida estava de novo claro e exposto na minha frente. O último e principal ponto da lista de motivos que apresentei era de que precisava voltar para a minha cidade. Nessa hora, traído pelos dedos, escrevi "voltar para a minha saudade".

Percebi o erro, mas como era verdade, dei enter ao ato falho.

Nada falho.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mulheres 06

Da bebida oferecida, ela bebeu sem titubear. Era caipirinha de rum, quase símbolo de uma época. À receptividade, ele ofereceu um nome.

- Já sei teu nome – ela respondeu.

Ele achou não ter entendido direito. Música alta, pista de dança, caipirinhas, etc. Mas era aquilo mesmo. Ela sabia nome, profissão, endereço do local de trabalho, nomes de amigos em comum. Era uma fatalidade não terem se conhecido ainda.

E fatalidade foi a marca daquela história que começava.