domingo, 26 de dezembro de 2010
Inconforme
Quando tenho semelhança, quero diferença
Se tenho a diferença, precipício
Nele, quero pontes
Quando tenho tudo isso junto, sinto falta de ti
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Sobre decifrares e devorares
Ela já tinha me feito subir a rua descalço, em solidariedade. Não custava nada me despir – de todas as formas possíveis. Foi o que fez quando olhou em volta, a sala, a cozinha, o quarto, e disse que o lugar parecia uma daquelas casas que precisaram ser abandonadas de uma hora para outra, por iminência de desastre, ataque, invasão ou um perigo qualquer. A mistura de coisas arrumadas e desarrumadas, uma louça por lavar há tempos, coisas aleatórias por cima da mesa, uma cama desarrumada. Certeira, ela.
Percebi que todos os meus lugares têm essa mesma característica. O abandono apressado, a impressão de fuga. As casas, os apartamentos, os quartos, as cidades, as pessoas. Tudo é ponto de passagem, local pronto para ser abandonado.
Certeira, ela.
Demais até.
Percebi que todos os meus lugares têm essa mesma característica. O abandono apressado, a impressão de fuga. As casas, os apartamentos, os quartos, as cidades, as pessoas. Tudo é ponto de passagem, local pronto para ser abandonado.
Certeira, ela.
Demais até.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Odeio quando ele toma banho
Primeiro escurece
Não é problema
Vejo bem a comida,
a água, a caixa,
a abelha que ela me deu.
Ouço passos, a chave
Meu nome
E toda aquela luz.
Isso dá um conforto tão grande.
Estragado pelo barulho do chuveiro.
Não é problema
Vejo bem a comida,
a água, a caixa,
a abelha que ela me deu.
Ouço passos, a chave
Meu nome
E toda aquela luz.
Isso dá um conforto tão grande.
Estragado pelo barulho do chuveiro.
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