O cara adiciona no Messenger. Tem nome parecido com o de um assessor de imprensa do governo estadual. Aceito. Um dia depois, puxa conversa:
Ele diz:
- Cara, beleza? Te conheci no pelourinho outro dia. Ainda está na Bahia?
Eu digo:
- Haha. Não conheceu, não. Haha. Nunca fui à Bahia.
Ele diz:
- Ahn? De onde você é? (risadas de msn).
Eu digo:
- Floripa.
Ele diz:
- (risadas de msn). Me sacanearam. Beleza então.
Eu digo:
- Como assim?
Ele diz:
- Me deram teu email. Entende?
Eu digo:
- Nossa! Na Bahia? Que loucura...
Ele diz:
- Foi... loucura!
Eu digo:
Que história engraçada. Como era o nome da pessoa?
Ele diz:
- O cara disse que se chamava Upiara. Tava com umas meninas lá e tal... a gente ficou conversando.
Eu digo:
- Será que nao era outro Upiara? Somos raros, mas existimos, haha.
Ele diz:
- (gargalhada de msn). Mas ele me deu esse msn.
Eu digo:
- Como era esse cara? Quando foi isso?
Ele diz:
- Terça, eu acho.
Eu digo:
- Pior que não sei de nenhum conhecido ou conhecida minha na Bahia, hehe.
Ele diz:
- (gargalhada de msn). Loucura! Coisas que só acontecem no Pelourinho.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Comeu?
Não adiantava dizer e insistir que se tratava apenas de uma amiga que não via há tempos. Sempre que comentava ter reservado aquela noite para sair com aquela pessoa fora de todos os círculos locais de amizade, a questão era encarada como um encontro.
- É amiga mesmo, tô dizendo.
- Ah, tá.
E em seguida vinha algum comentário jocoso ou uma nova pergunta sobre ela com segundas intenções. No dia seguinte, as perguntas foram inevitáveis.
- E aí, comeu?
A resposta é que fugiu ao script.
- Muito.
--
Passava das quatro horas da manhã e as bebidas estavam no fim. O roteiro da noite começara em um boteco metido a besta da zona boêmia da cidade. Duas cervejas e resolveram trocar o Djavan executado ao violão por um senhor que já deve cantado coisa melhor – e melhor – pela apresentação de uma banda de jazz a cinco quadras dali.
Assistiram a um bloco e meio da apresentação e foram para a casa dela terminar a noite. Estavam empenhados nessa tarefa e os gelos colocados na cerveja que insistia em não gelar eram prova disso. Foi quando ela disse, despretensiosamente, que eles deveriam preparar algo para comer. Começou a revirar a geladeira e dela veio com cebola, ovos e linguiça.
- Tem macarrão, o que dá para fazer?
- Olha, dá pra simular uma carbonara...
- Ótimo. Isso fica contigo. Eu faço a salada. Ah, e depois vamos ali fora pegar alecrim e manjericão.
--
Picou a cebola em pedaços mínimos. Tarefa complicada depois de tanto entorpecimento. Em seguida foi a vez das três linguiças, em pequenos cubos. Sentiu saudade do bacon, mas achou que daria certo. O alecrim abundante colhido minutos antes foi acrescentado à cebola e à linguiça depois de muito refogados. O cheiro era confuso, mas bom.
Preferiram deixar o manjericão, rasgado em pequenos pedaços, à parte, fazendo as vezes do queijo ralado que não existia. Enquanto isso, ela se esmerava na salada de alface e cenoura ralada, com algum condimento adocicado que ele esqueceu completamente qual era.
Quando o macarrão ficou pronto, foi acrescentado a ele a mistura de linguiça, cebola e alecrim. Em seguida dois ovos e um pouco de creme de queijo. Era o substituto possível à nata e ao creme de leite. Eram cinco horas da manhã, tarde para preciosismos.
O resultado ficou bonito, o cheiro era bom. Abriram um vinho e comeram a salada para aumentar a expectativa em torno do resultado daquela espécie de orgia. Se o esforço, a bebedeira e a alta madrugada contribuíram, não dá para saber. Mas a carbonara simulada foi aprovada pelos dois paladares, que esgotaram toda a comida.
Acordou ainda pela manhã com a sensação de que passaria dois dias sem comer nada.
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- Comeu ou não?
- Até demais.
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