quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

...

Sem meio termo:
ou te ganho
ou me perco

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Vergonhas e janelas

Lembro que invejei de imediato aquela falta de vergonha.

Ela levantou da cama, nua, e partiu em direção à cozinha, ignorando a ampla janela aberta no meio do caminho e a possibilidade de algum vizinho vê-la. Não havia do que se envergonhar e ela sabia. Deixava isso explícito no andar firme, cabeça erguida, totalmente nua, enquanto eu, na cama, balbuciava algo sobre a janela aberta.

Acostumado que era a esconder-me de minha própria janela.


- O que você disse?
- Esquece, eu falei da janela aberta.
- Ah, eu não vi.

(escrito em fevereiro de 2013)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Dez anos pelo mesmo caminho

Dezembro de 2006, o Upiara de 24 anos idade e quatro meses de
editoria de política entrevista o governador reeleito
Luiz Henrique da Silveira. O repórter derrubou a água.

— A gente sabe que tu vai bem em geral e esporte, mas a vaga é de política. Se não der certo, a gente pode tentar remanejar depois.

O rapaz de 24 anos em frente ao editor-chefe da sucursal do jornal A Notícia em Florianópolis se sentia verde para a função, mas estava duplamente feliz. Queria muito voltar àquela redação em que havia trabalhado por três meses cobrindo férias no verão e praticamente se ofereceu para voltar quando soube que um episódio atrapalhado havia aberto uma vaga na editoria de política. Imaginava que algum remanejamento simples poderia colocá-lo de volta no esporte - onde já acumulava incríveis cinco meses de experiência somando Notícias do Dia e próprio AN. Cair na política era um desafio a mais.

Sempre gostei de política. Vamos lá - respondeu o rapaz.

Fomos.

Nesta segunda-feira, dia 1º de agosto de 2016, faz dez anos que voltei ao prédio da sucursal do AN em Florianópolis para assumir uma vaga de repórter de política. Mudei de cidade, de jornal, voltei, mas nunca mais perdi o título - mesmo que a editoria tenha outro nome. Eram outros tempos. Na casa que sediava a redação, éramos quatro repórteres de política. Dois exclusivos para a política estadual, reportando-se diretamente aos editores em Joinville, sede do AN. Outros dois, eu um deles, acompanhando a política de Florianópolis e dos dos municípios da região para o caderno AN Capital.

Foi falando com vereadores e prefeitos que comecei a entender o jogo da política para além dos olhos de leitor. Logo seria a vez de deputados, candidatos das eleições daquele ano, o governador.

Um mês depois da minha contratação, o AN foi comprado pelo Grupo RBS. Época de mudanças, ajustes. Um convite para integrar a primeira redação online do Diário Catarinense. Colegas dizendo que eu seria louco se recusasse, diante da iminente mudança de foco do jornal. Disse a eles que aceitaria, claro. Recebi a ligação do editor-chefe do ex-concorrente, fui convidado.

Tem chance de eu ser transferido para a política depois
Não, é uma vaga para o online.
Então não posso aceitar.

Minutos depois, mandei email para editor-chefe e editora de política do AN. Recebi proposta, disse não “porque gosto muito de cobrir política e de cobrir política para o jornal A Notícia. Espero não ser punido por isso”. Duas semanas depois, outro convite: repórter de política, no AN, mas em Joinville.

Vamos lá.

Dois anos e meio de imersão na política local da mais populosa cidade catarinense, às vezes tão grande, às vezes tão paroquial. Driblando diariamente o desejo de voltar pra casa, mas vivendo uma experiência que me fez um jornalista melhor. No fim, descobri que só conseguiria voltar quando tivesse algo a perder. Tive, perdi. Aceitei o convite para trabalhar no Diário Catarinense em fevereiro de 2010. Repórter de política, como insisti em ser quando recebi o primeiro convite do DC.

Continuo indo.

Duas eleições estaduais, eleições municipais, visitas de presidenciáveis, a fábrica de inválidos da Assembleia Legislativa, um mergulho na história política de Santa Catarina para tentar desvendar o fim do romance de Victor Konder e Ruth Ramos, experiências com colunas, ver de perto o Senado afastar do cargo uma presidente da República.

O que virá?

Quando a gente completa dez anos fazendo a mesma coisa, fica a dúvida sobre de deve comemorar ou repensar tudo. Repensei algumas vezes, comemorei outras. Hoje escrevo para marcar a data. Escrevo para dizer que não é a mesma coisa.

Que não sei onde quero chegar, mas sei por onde vou.

Vamos lá.

domingo, 15 de maio de 2016

Notas de um dj amador


Essas são as músicas que eu levei para passar no Blues Velvet no último sábado, quando brinquei de dj a convite do Adilson Boing Junior na 2Thousands. Dentro das caixinhas vermelhas estão as que efetivamente foram para a pista de dança. Além delas, rolou Turn It On, do Franz Ferdinand - às pressas, de um pen drive emprestado pelo Junior enquanto um dos meus se recusava a funcionar.

Parece que deu tudo certo.

domingo, 8 de maio de 2016

Fim do impasse

Querer tudo
Também

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Impasse

Abrir mão é perder
Querer tudo
Também

sábado, 23 de abril de 2016

Outra vidinha




Tô com uma vontade verdadeira de te abandonar.

Acho tão forte esse verso que abre a canção Vidinha, de Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, que nunca consegui não imaginar a letra inteira como a vontade de abandonar um relacionamento tedioso. Hoje botei para tocar essa música que tanto ouvi lá por 2008 e senti diferente. Como se Ronei Jorge cantasse para a noite, essa sim, a ser abandonada. E fez sentido. Pelo menos pra mim.

Leiam comigo. Ouçam no fim

Vidinha

Tenho uma vontade verdadeira de te abandonar
Largar de novo essa doideira que me conquistou
Chegando com a vista inteira, olhando pro céu.
Cuspindo fora essa bobeira de falsa alegria
Se passo a semana inteira isso me vicia
Essa promessa duvidosa, o meu dia-a-dia
Precisa aparecer dinheiro, aparecer amor
Leva na lábia essa vidinha que me apareceu.
Então, eu vou assim.
Vai ter quer ser.
Eu vou viver. 
Viver de outra maneira