terça-feira, 2 de outubro de 2007

Lembranças com café

Sempre encarava aquelas perguntas de sua avó ou de qualquer outro familiar sobre vida amorosa com uma vontade de sumir da cadeira por alguns minutos e voltar quando assunto já fosse outro. Não foi diferente daquela vez. A avó perguntou como quem não quer nada, durante o café, se ele estava sozinho. Estava, há pouco tempo, mas não era algo que o atormentasse ou pautasse seus pensamentos naquele momento. Estava só e bem. Foi isso que quis deixar transparecer na resposta quando disse aquele “sim” meio sem vontade, que a avó entendeu ao contrário, como uma espécie de lamúria.

- Não fica assim que o é nosso está guardado.

Aí ele pensou que viria toda aquela conversa sobre destino e sobre pessoa certa que acha serem bobagens, conselho sentimental de jornal popular. Olhou para o café, ainda pela metade. Foi quando a avó começou a contar uma história e nas primeiras palavras ele parou e percebeu não era um causo qualquer.

Ela disse que quando era moça, namorava um rapaz muito ciumento. Ambos moravam em Porto Alegre e o rapaz estava particularmente preocupado com a chegada do carnaval. Ele iria encontrar a família no interior e sabia que a futura avó não perderia os bailes de carnaval. Tanto insistiu para que ela não fosse aos bailes que a convenceu a aceitar um convite de uns parentes de Gramado para ficar por lá durante a festa.

- Ficou tão faceiro que foi até comprar as passagens.

O rapaz levou a namorada para a rodoviária, se despediu e viajou também, para a sua cidade. Tranqüilo. E a moça teve um carnaval inesquecível na serra gaúcha.

- Foi lá que eu conheci o teu avô.

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A história não sai da minha cabeça.

6 comentários:

  1. vida 1. namorado ciumento 0.

    excelente :}

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  2. maravilha....
    e viva a inconstancia, eh nessas horas que ela vem e zupt...jah era..

    hauhauahauahu
    =D

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  3. mas upi,como e que tu me coloca na boca do povo?logo na internet!ja vi que es um mau confidente.na proxima vez te conto outra.

    te amo.

    vo

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  4. ah! que história bonitinha. Como disse a avó, "o que é nosso está guardado". Quando menos se espera, a pessoa certa aparece.
    bjs Upi
    Patrícia Gomes

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Sabe que sempre tem alguém querendo provar que o destino está traçado, por mais que a gente não queira acreditar nessas coisas... volta e meia tenho alguma prova disso... e vivo escutando que "o que é nosso tá guardado"...

    Beijo!!
    E um 2008 cheio de acasos e coincidências, com muitas voltas do destino pra te fazer feliz!!!

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