domingo, 6 de junho de 2010

Tô fora

Vi hoje uma faixa verde-amarela desfraldada de cima a baixo em um prédio em Coqueiros. Achei bonito e imaginei como tudo vai ficar nos próximos dias, com a Copa do Mundo. Antevi aquela festa toda, aquela expectiva em volta seleção brasileira. Deu vontade de torcer por essa seleção do Dunga. Afinal, a seleção não é só dele, certo? 

Mas aí lembrei do gesto do mesmo Dunga em 1994, ao levantar a taça de campeão mundial. Um título que o país inteiro esperou por 24 anos e que ele teve a honra de ser o homem a ter a imagem eternizada como a de campeão. Como Bellini, Mauro e Carlos Alberto. Pois Dunga levantou a Copa do Mundo e disse "fotografem essa porra!".

A cada entrevista do técnico, fica nítida a vontade do volante de repetir o gesto. De usar a conquista de um grupo embalado pela torcida de milhões para a desforra pessoal e grosseira. Aí olho para a seleção que ele montou, que tem como maior destaque individual um personagem sem-graça, encarnação do bom-mocismo, cercado por um bando de volantes. A "irreverência" representada por uma promessa de melhor do mundo de quase 30 anos, eterno garoto-propaganda da molecagem no futebol.

Não duvido que o time seja competitivo, faça uma boa Copa e volte com a taça. O que não sei se quero essa gente campeã do mundo. Se patriota é o Dunga ("fotografem essa porra"), não faço questão do rótulo.

3 comentários:

  1. Curioso, eu também tava pensando sobre isso nos últimos dias. Eu admiro a raça do Dunga por ter dado a volta por cima em 94, em resposta às duras críticas que recebeu em 90. Mas esse complexo de vingança acabou se tornando algo doentio. Penso que não há mais um desejo sincero do Comandante de honrar o seu país, mas unicamente de honrar os seus complexos.

    Parabéns pelo texto.

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  2. Nossa, este papo quinta-coluna tá meio pesado Upiara. Aliás, acho que este desconforto teu com o Dunga é pelo fato dele ser colorado desde criancinha. Ele é profissional, pode ser grosseiro, usar camisas espalhafatosas e coisa e tal, mas vem demonstrando competência em sua estréia como técnico. Conversei com ele uma vez, falei sobre o nosso colorado e ele foi reservado. Afinal de contas, comanda a seleção canarinho, o que não é pouca coisa. Aliás, teu Felipão adorado acabou de dizer que descarta treinar a equipe rival. Campeão do mundo pela seleção, com essa declaração o Scolari demonstra ser um técnico torcedor, sem demérito ao talento dele no comando de uma equipe de futebol.

    abraço

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  3. Não tem nada a ver com gremismo ou coloradismo. Achei até uma boa escolha na época que anunciaram o Dunga como técnico. Mas essa seleção e o senhor Dunga não me representam nem representam o país.

    Felipão disse que não treina o Inter, direito dele. Mas duvido que deixasse de convocar um colorado que merecesse. O mesmo Felipão, tido como retranqueiro, levou cinco atacantes e três volantes para a Copa.

    Apostou no talento de três jogadores excepcionais e fez o time funcionar em torno deles. Não fez um time de "guerreiros" de propaganda de cerveja.

    Como li por aí, fazer 11 jogadores comerem grama, é fácil. Dificil é fazer os 11 melhores jogadores comerem grama. Aí uma diferença entre Felipão e Parreira. Mas o Parreira pelo menos não descartou os melhores por conta da própria incompetência.

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